terça-feira, 12 de junho de 2007

Agronegócio vai bem, mas...

Apesar do otimismo com a recuperação do agronegócio, o Brasil corre o risco de sofrer uma grande crise no setor agropecuário. A conclusão é de estudo realizado pelo Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e divulgado na segunda-feira, 11/jun. O levantamento se baseia na possibilidade dos preços internacionais das commodities caírem —voltando à sua média histórica—, associada ao contexto de valorização do real diante do dólar. Se os preços sofrerem queda, diz o estudo, o valor recebido em reais pelos produtores não será suficiente para cobrir os custos agrícolas. Commodities como soja, milho e trigo estão com cotação até 40% acima da média histórica. A explicação está na ampliação da demanda por esses produtos em mercados como os EUA, que vêm utilizando esses produtos para gerar combustíveis —como é o caso do milho para o etanol e os óleos vegetais para o biodiesel. “Esses preços tendem a voltar à média histórica nas próximas três ou quatro safras”, prevê Cassiano Bragagnolo, analista da Ocepar. De acordo com o levantamento, se os preços se nivelarem e o dólar continuar na faixa de R$ 1,95, os prejuízos chegarão a 14% para os produtores de soja, 44% para os de milho e 78% para os de trigo. Na tentativa de frear esse possível prejuízo, a Ocepar está organizando um plano de reivindicações que serão levadas ao Governo para atenuar o baque de uma eventual queda nos preços agrícolas. Entre as demandas estão a redução de juros no crédito rural, a aceleração da queda na taxa Selic, a liberação das importações de agrotóxicos não registrados no Brasil (mas legalizados no restante do Mercosul), a isenção de tributos como a CPMF e investimentos maciços em infra-estrutura e logística. “O governo terá que pensar desde agora em ações para beneficiar o setor, que sofre há cinco safras no Paraná, por exemplo. O produtor também deve ficar sempre atento às tendências do mercado”, aponta Gilda Bozza, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Embora as projeções de longo prazo sejam pessimistas, a renda do agronegócio tende a ser boa neste ano, segundo a CNA. A previsão é de novo recorde nas exportações do setor: R$ 55 bilhões, ou R$ 6 bilhões a mais que em 2006.

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